Gustavo Valério

O Poeta Notívago

Soneto

Luta Incessante

O peso do mundo sufocando a morte
a morte sufocada, sufoca a vida
a vida sufocada, sufoca a sorte
a sorte sufocada é mal resolvida.

Meu Reflexo

Olho p’ra o nada e não consigo ver
além do reflexo seco que sou…
Horizonte imitado é o meu ser,
minh’alma ilimitada hibernou…

A Traição

A traição em tua porta bateu
e três vezes, o teu corpo, invadiu;
perfurou-te na noute à sangue frio,
pintou o chão de vermelho e correu…

Modelo Inconsciente

Todo o céu está sangrento
chove sangue nos humanos…
São tempos diluvianos…
É preciso engajamento…

Cachoeira Venenosa

Cachoeira venenosa:
os meus olhos têm veneno
meu linguajar é ameno
minha morte é gloriosa.

O Cimo

O cimo celeste silencia o sino
em síntese sacra e silenciosa
sanciona sonhos na viciosa
noute suscetível ao vil destino

Quebrado

O sonho doce que se foi é santo
antecedeu a morte desejada
reconstruiu a longa e velha estrada
montou acordes do mais triste canto.

Pulso Solar

De sol em sol o amor andou tão solitário
e em voos abismais dissipou-se sofrido
em dor a reclamar do ódio comunitário
turvou a languidez do não-ser oprimido.

O Sino

A vida não passa d’um perverso conceito
que sequestra tu’alma, teu corpo e teu desejo
e força-te a aceitar teu interno despejo
que despeja teu eu no próprio preconceito.

Meus Sonetos

Os meus sonetos escorrem d’um corte
dentro de mim, desde o antigo inverno;
Dele provém versos sem qualquer norte,
nascem palavras no silêncio alterno.