Gustavo Valério

O Poeta Notívago

Soneto

Novo Lar

Esta vil sensação causa-me uma amargura
que me derrete atroz, matando-me de novo…
E no triste sofrer noutras lágrimas chovo
cansado de morrer nesta densa ternura…

Despertar

O inferno é aqui. Assim desperto
e quieto, abro os olhos e percebo
que ao acordar nesta terra, recebo
somente amargura; assim desconcerto.

A Lua

Presa neste céu solitário, a lua
vai morrendo nas noites devagar;
enquanto nós dormimos, a sonhar,
os poetas sua morte atenua…

A Coruja

Está escuro e a coruja aparece
voando e emitindo seu som temido
horripilante canto num grunhido
de medo, até a alegria fenece.

O Lobo

As madrugadas surgem assombrosas
e o lobo, do mal, por elas vagueia
uivando às sombras que à noite permeia
em densas trevas, nuvens tenebrosas…

O Lobo, a Coruja e a Lua

Uma águia na noute, assusta a coruja,
e um uivo sombrio logo é ouvido
num som de asas no escuro interrompido,
um medo que mata e a morte é lambuja…

Tempos Lilithianos

Estamos em tempos lilithianos.
Tempos sombrios, amargos e densos
onde os tormentos são bem mais intensos
e arrastam-se por entre os longos anos.

Fusão

Nossas mentes obscuras e maliciosas
abismaram-se enquanto faziam o mal;
Iludidas distorceram o mapa astral
enquanto cantarolavam vitoriosas.

Último Voo

Maria acordou mui fraca e sem força
e fez extrema força p’ra acordar
e de dor sentiu o âmago amargar
amordaçada em sua vida insossa.