quarteto

Cobras No Jardim

Num susto, distraído, compreendo
Que há cobras espalhadas no Jardim…
Por isso, continuo me abstendo
Das bocas que praguejam qualquer fim…

Falácias em protestos literários
São armas de covardes escritores…
É justo postergar os mercenários
Que mentem, friamente, sem pudores…

Releio as centenas de poemas:
Vazios e confusos… Desalmados!
Pois Cobras não têm almas, só dilemas…
Dilemas digitais randomizados…

Mas creio que, tais cobras sem essência,
Um dia pagarão por tantos danos!
O Tempo também cobra coerência
Ainda que a cobrança leve anos!

Gustavo Valério Ferreira

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Antolhos

As curvas do teu corpo e teus cabelos
Atraem o meu frágil coração…
E, preso nessa doce sensação,
Descubro o grande livro de mil selos…

Quem dera me prender nos teus novelos
Enquanto teces tranças sobre mim!
Queria descobrir-te, amor, enfim…
Vencer os teus milhões de pesadelos…

Mas, como hás de me ver, ó doce jovem,
Se, nesse mundo onde te prendeste,
As mil Estrelas nunca te comovem
Nem há, no céu azul, a Luz celeste?

Estou aqui diante dos teus olhos
Revendo o pensamento que escreveste…
Precisas retirar os teus antolhos
E ver que estive aqui, mas não quiseste!

Gustavo Valério Ferreira

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