soneto

Mortos Vivos

Anoitecendo em vendavais incertos
e sucumbindo aos pesadelos tristes
em vãos lamentos lancinantes vistes
a luz final por entre os céus abertos!

Naquele instante os olhos bem despertos
perante as sendas de álacres palmistes
quiseram compreender, mas desististes
dos tais conhecimentos descobertos!

E assim acomodado e sonolento
perdestes o calor e em fingimento
os vossos olhos criaram novos muros…

E triste descansastes em lamentos
de sonhos matinais sanguinolentos
e a luz final por entre os céus escuros.

Gustavo Valério Ferreira

17/02/2020
soneto

Fórmulas da Paz

Assim que acordei mirei no horizonte
dois passos andei e os olhos arderam
senti-me mui mal, meus céus forneceram
um sonho abissal na face simbionte

Pesar, aflição… estou bem defronte
da cruel devoção dos que pereceram
buscando as marés que nunca volveram…
E molho os meus pés no sonho eucarionte…

O que vem depois do ardor rigoroso?
A lua de fel do crasso amistoso?
O tácito audaz com a sua vil máscara?

Cegaram-se dois dos olhos ansiosos
turvaram o mel perante os vaidosos
que pregam a paz na forma de Bháskara.

Gustavo Valério Ferreira

05/02/2020
soneto

Tempos Anormais

Joguei os fatais jogos ignorantes
navegando em naus feitas por terceiros…
Sofri colisões pelas incessantes
certezas surreais de ideais aborteiros…

Não vencia o mar pois ventos constantes
vinham balançar meus velhos veleiros;
E sem alcançar Miguel de Cervantes
quieto faleci ante os derradeiros

tempos anormais e mui produtivos…
Tentei, porém, ser o vivo entre os vivos
mas logo cansei do comum ataque…

Eu queria ver o recinto que ousa
de nós esconder nossos Cruz e Souza
Augusto, Gullar, Machado e Bilac!

Gustavo Valério Ferreira

03/02/2020
soneto

Delírios Circulares

A fúnebre voz de lírios augustos
ressoam aqui dentro da minha alma
no eco circular - delírios robustos -
da estrela de luz, luzerna que acalma…

E o tétrico ser versando aos vetustos
estremece o céu, racha a própria agalma
e suspenso no ar em gases combustos
chuvisca meu chão e afoga meu trauma.

Eterno e anormal, escritor fantástico
curaste este vil sujeito de plástico
transformando o réu num brando aprendiz…

O teu legado é muito mais que orgástico
é terno laurel, etéreo e monástico!
Ó funéreo som, meu ser te bendiz!

Gustavo Valério Ferreira

30/01/2020
soneto

Emudecimento

Desapareceu de dentro do peito
o meu coração. O que faço agora?
Emudeço à dor carnal que deflora
a alma em musicais vazios, sem pleito?

Ou descrevo o algoz - meu próprio defeito -
nos ventos finais que levam embora
tudo o que restou? E como quem chora
em silêncio, sangro um verso imperfeito

buscando uma luz ou talvez a morte
(versificação fatal da má sorte)
para energizar o meu esqueleto

Despertando o poeta audaz e ligeiro
que inda sussurrava o fel derradeiro
nas estrofes deste infame soneto!

Gustavo Valério Ferreira

29/01/2020
soneto

Novos Cafezais

Cidades, capitais, famas, pobrezas…
Amores, temporais: Mundo altaneiro?
Igrejas, catedrais: honra ou dinheiro?
Cantores, musicais, notas chinesas…

Cafezais, cafés e ais, dores, riquezas;
Transações da nação, do brasileiro?
Mutação, muda a ação do pistoleiro
colossal; colo e sal: táticas coesas?

Soldados desumanos defendendo
soldados soberanos e ofendendo
soldados suburbanos - Isso é fato.

Oração mentirosa, líder lasso
na ração dá razão e estardalhaço;
Capitão!!! O do povo ou o do mato?

Gustavo Valério Ferreira

27/01/2020
soneto

Vacas Magras

A seca safra, sacra e santa escreve
mas seus escritos são ardis e vagos
metáforas banais causando estragos
na mente do leitor que inda se atreve

a ler os escrotais poemas de neve
que de tão mal compostos são bem gagos;
Tais textos são pretextos vis e afagos
das ilusões fatídicas da greve

que assola nossa culta e seleta arte.
E degradando o lírico estandarte
(sinete cultural da nossa história)

força-nos a usitar um talabarte
até que o leitor faça a sua parte
rejeitando essa pena vexatória.

Gustavo Valério Ferreira

25/01/2020
soneto

Augustos Versos

Quando vieste bater em minha porta
como um fantasma pasmo em calafrios
por entre as catacumbas dos vazios
vi tua natureza quase morta.

A tua obscura crença te conforta
e estruturando nela os teus fastios
perdeste o amargo mel dos fugidios
escritores famosos - Alma torta!

Eu não quis ver-te nessa vil desgraça
pois o teu versejar rasgou a pele
do tempo e o despertou do vale de ossos…

Tua literatura sem mordaça
foi tão pura que até hoje repele
a seca safra lírica dos Poços!

Em memória do fabuloso
eterno e Solitário poeta-mor
Augusto dos Anjos

Gustavo Valério Ferreira

24/01/2020
soneto

Maus Planos

Os maus planos e seus malfeitores
prendem laços e traços em trapos
desumanos; terríveis farrapos
dominando alguns homens e cores.

Dos maus planos ressurgem horrores
que transformam os homens em sapos
e mulheres em bruxas; tais fiapos
movem cordas malinas e amores.

Dissabores que trazem ferozes
e felizes lembranças atrozes
(castigantes fatores fatais)

desacordam-nos ante os algozes
pesadelos banais dos velozes
desenganos de planos vitais.

Gustavo Valério Ferreira

23/01/2020
sexteto

O Povo

São acordos criminosos
que aos gravatas dão poder
à lei juram defender
com seus verbos enganosos
mas são só peões gananciosos
querendo metas bater!

Ante o povo só promessas
de leis e verbas trazer
não cansam de prometer
em mentiras mal expressas
e com fábulas impressas
fazem seu povo sofrer.

Desejo que o povo acorde
e comece a perceber
quem dá tem que receber
inda que alguém não concorde
o povo é seu próprio Lorde
pois do povo é o Poder!

Gustavo Valério Ferreira

21/01/2020
soneto

Esportes Alheios

Os amores que tive outrora foram mortes
gradativas e fel infectando o meu sangue.
Agora amargo em dor; os sonhos são meus fortes
enquanto afundo só nesse intenso mangue…

O meu inócuo amor envolveu-se em esportes
alheios; mergulhou até ficar exangue.
A minha alma sorriu ao receber os cortes
na própria pele pura e pálida, mas langue…

Porém nada aprendi exceto o sofrimento
que muito me aturdiu, pôs-me em constrangimento
e depois me humilhou - O pesar me completa.

Os amores em vão são só perdas de tempos
quebram o coração; infames contratempos
mataram-me sem dó… forçaram-me a ser poeta.

Gustavo Valério Ferreira

18/01/2020
soneto

Atores Reais

São natos semeadores da desgraça;
ingratos causadores de contendas
pregam conhecimentos e usam vendas
entregam-se à sua própria mordaça.

Entre si fazem grupos e fumaça
sinônima das loucas reprimendas;
dissimulam paixões vis e vincendas
enquanto pouco a pouco o mal espaça.

Podem fazer o bem, porém são maus
e suas maldades são também os vaus
que lhes mantém de pé putrefazendo.

Humanos quando não estão atuando
estão quietos dormindo e sussurrando
que são os heróis deste mundo horrendo!

Gustavo Valério Ferreira

31/08/2019
notícia

Versos Existenciais é o Novo Livro do Poeta Paraibano Danilo Soares

Versos Existenciais

Em dezembro do ano passado entrevistei o poeta Danilo Soares; conversamos sobre vários acontecimentos da vida do poeta e também sobre o seu primeiro livro, “Versos Substanciais”, lançado no mesmo ano pela editora Hope. O poeta foi bastante receptivo e extrovertido e ainda nos deu a informação de que estava trabalhando na produção do seu segundo livro.

Pois bem, o poeta além de ter nos concedido uma fabulosa entrevista que pode ser conferida aqui e dado a notícia a cerca do novo livro, também nos deu a honra de mostrar um pouquinho do seu novo trabalho que será lançado ainda este ano. O nome da obra é “Versos Existenciais” e traz uma coleção de poemas riquíssimos da cultura nordestina, contos regionalistas e também aborda elementos da cultura indígena.

Danilo Soares

Mas não pense que a obra limita-se a isso! Segundo o autor, a obra também carrega em si frutos da filosofia e da arte.

O livro será publicado pela editora recém-nascida Epopeia, que será ainda mais fortalecida com a finalização dessa incrível obra de arte!

Poema Sufoco Humano

A obra contém ilustrações feitas pela jovem e talentosa Melkenia Miranda, também paraibana que com grande maestria e autenticidade desenvolve incríveis ilustrações que combinam com o teor jovial e ao mesmo tempo regional da obra.

A obra tem muita coisa que a faz ser completa, além das ilustrações lindas produzidas por Melkenia, tem uma diagramação temática e uma capa maravilhosa feita pelo Anderson Costa. Também posso dizer que o livro está bem revisado, pois minha antiga professora, Glicéria Tavares, fora quem esteve responsável. Com isso, estou bem firme para publicar Versos Existenciais. Fizemos um trabalho lindo”. - disse Danilo Soares.

Quero parabenizar a todos os envolvidos na produção dessa obra! A capa ficou incrível e acredito fortemente que o trabalho inteiro é de altíssima qualidade!

Estou certo de que essa nova obra do nosso jovem poeta, virá para enriquecer ainda mais a cultura paraibana e nordestina, e mostrar para todos os brasileiros que nossos jovens não morreram para a arte, que ela ainda existe bem vívida e renascente no peito nordestino!

Gustavo Valério Ferreira

28/08/2019
soneto

Amazônia

Não é possível medir
o seu imenso valor
pois bem no seu interior
há vidas a evoluir!

Outras formas de existir
que podem causar horror
mas contém raro vigor
e fórmulas de emitir

sons e cantos naturais
belos, puros, colossais
que movem parte dos mundos.

São os coros animaisin natura em musicais
ricos, raros e profundos!

Gustavo Valério Ferreira

26/08/2019
soneto

O Acidente

Desaceleração, brusca frenagem…
barulhos, gritos… Vozes inconstantes;
gemidos, sangue… Dores extasiantes
na palidez de estática paisagem…

Sombra atônita, tácita e selvagem
infeccionou os ares instigantes
com medos, fatos, cores perfurantes
e também com fatal e eterna viagem…

Olhos fechados, corpos bem abertos
na avenida dos casos mal cobertos
há flagrantes flagrados por normais.

O tão nobre acidente cotidiano
teve a repercussão mais forte do ano.
Quem disse que os valores são iguais?

Gustavo Valério Ferreira

24/08/2019
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